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Foto na Favela

Favela Padroeira.

Barraco da favela da Padroeira.

Alguns dias passados recebi emeio do Feppa, fotógrafo, desenhista, artista e voluntário da ONG UTPMP, para que a gente fizesse uma exposição de fotografia na favela da Padroeira, em Osasco. Não esperava pelo convite, fiquei envaidecido, mas chegou em hora boa, eu estava com saudades da turma da UTPMP e pela favela da Padroeira tenho um carinho especial. Coisas que a gente não explica.

Voluntários da ONG UTPMP em acão.

Sorte eu ter 179 fotografias ampliadas, das 750 que já editei. Separei trinta com a ajuda da amiga Joana que cuida da Comunicação da ONG e lá fui eu as nove da manhã de domingo com uns 25 voluntários para a favela. Os voluntários foram visitar as famílias que irão receber as casas de emergência no próximo fim de semana, aproveitaram para acertar os últimos detalhes da construção e estreitar os laços entre voluntariado e as famílias que vivem em barracos precários na favela. Quem ganha de um a três salários mínimos vive em extrema pobreza. Se pagar aluguel não come se comer não paga aluguel. São pessoas que trabalham duro, mas devido ao alto valor do aluguel – isto se chama especulação imobiliária – e ao baixo salário – arrocho salarial que sofre principalmente o trabalhador de baixa renda - não conseguem moradia própria para viver e criar seus filhos. É triste esta situação, muitos se acham culpados por não conseguirem pagar o aluguel, enquanto a verdade é que a culpa é de uma política econômica criminosa, para dizer o mínimo.

Rua "principal" da favela.

Casa da bloco da favela. Uns 20 metros quadrados com fundo para area de risco que é um rio.

A maioria dos voluntários são estudantes universitários – USP, PUC, Mackenzie…- e muitos nunca haviam entrado em uma favela. E aqui a ONG cumpre com sua proposta, ser a ponte que liga a classe media alta às favelas de São Paulo. Acreditam que para combater a pobreza é fundamental conhecê-la de perto; estreitar os laços afetivos entre classes sociais diferentes derrubando assim os muros dos preconceitos sociais históricos.

Muitos dos voluntários já me confessaram que tiveram dificuldades em trabalhar na ONG devido a negativa de seus pais. De forma positiva são pessoas que acreditam que é possível fazer justiça social, e assim, sem medo de serem originais se recusam a ser cópias e caminham com muita criatividade inventando suas biografias, superando os obstáculos que se impõem.

Criança na exposição. As fotos na geladeira, nas paredes...

A Bia falava e desenhava... maluquinha!! Adoro!

Entrada da galeria da Padroeira... tem até segurança.

Ao chegar a favela os grupos se dividem de forma organizada e eu e o Feppa vamos até a Associação do Moradores montar a exposição. Eu com as fotos coloridas e o Feppa com as fotos preto e branco. Enquanto montávamos a exposição as crianças circulavam animando o ambiente, a Bia viajava nas estórias, a  Shirley olhava tudo com muita atenção, o Feppa no maior cuidado colava as fotos na geladeira, ao lado do fogão, nas paredes, e logo a sala se encheu de gente e foto. Eu ajudei um pouquinho, mas não agüentei e sai fotografando, só pra variar. Adoro uma bagunça, acho que é porque em casa sou muito organizado, deve ser…

A garotada não parava de chegar pra ver as fotos...

A turma da zueira... é nóis.

Muito legal as crianças analisando as fotos. Uma criança disse que não gostava do P&B, deu dó do Feppa… bem, mas logo veio outra e disse que adorou o P&B, melhor assim. Um garoto viu uma foto P&B com desfoque no fundo e falou que era igual de novela, olha só! O Feppa ficou puto da vida. Normal, eu também ficaria… rsrs. Ri muito.

Feppa em ação!

Familia em casa da ONG UTPMP.

Timão, é o que dizem...

Depois saímos para rodar a favela e avisar os moradores da exposição. Visitamos alguns manos e manas das últimas construções e fomos até a família que o Feppa irá construir sua próxima casa na Padroeira. Encontramos outros voluntários batemos um papo com a família e voltamos. Mas antes demos um cansaço na galera que ia nos dar carona de volta, pois tínhamos combinado de fotografar uma criança com o vestido de noiva, a mãe teria que devolver o vestido no outro dia e não podíamos negar o pedido. Afinal de contas estávamos lá para isso certo?

A modelo do dia!!

A nossa noivinha e seu pretendente... rsrs

Fizemos as fotos e deu tudo certo. Foi bem legal.

A galera veio ver o ensaio.

Ah dedico as fotos deste dia para a Priscila, que adorou o meu trabalho com muita sinceridade. Difícil de esquecer.

E agradecimentos ao Feppa, a todos da favela da Padroeira e a ONG UTPMP que me enchem de alegria.