Arquivo para o ‘movimento social’ Categoria

114. Marcha das mulheres, por Márcio Ramos

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106. Matadouro, por Márcio Ramos.

I

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III

IV

V

A monocultura nao respeita ninguém.

103. Consciência Negra – Quilombo do Remanso, por Márcio Ramos

100. O FIM da SUA INTERNET – gatos, pornografia, pirataria

95. O retrato e a foto, por Márcio Ramos

I

Entre as propostas do workshop estão o exercício de olhar pra si e pro outro, através do auto retrato e da fotos de quem a gente ama.

II

“A consciência autoral já é uma excelente forma de fugir do que é clichê e procurar um novo ponto de vista”.

III

Seu trabalho, centrado justamente na destruição da perspectiva fotográfica clássica, culturalmente codificada, propõe uma imagem a partir de fragmentos de várias outras imagens que desencadeiam uma irresistível e evocativa memória.

IV

FOTOGRAFIA COMO ÍCONE
“A primeira vê na fotografia uma reprodução mimética do real. As noções de realidade e de similaridade confundem-se com a de verdade e a de credibilidade. É a fotografia enquanto ícone, espelho do real.”

V

A fotografia humanista marcou a ascensão do fotojornalismo, que ganhou enorme importância nos anos seguintes. Expedições fotográficas pelo mundo eram financiadas pelas revistas que publicavam todos os meses ensaios e mais ensaios fotográficos sobre regiões cada vez mais remotas do planeta.

VI

O objetivo deste artigo é levantar questionamentos  a respeito da produção de sentido no gênero “retrato” na fotografia, analisando a relação existente entre os elementos estruturantes relacionados à economia interna da imagem pictórica e o contexto em que essas imagens são produzidas e apresentadas ao espectador.

VII

Há sempre no rosto das pessoas alguma coisa de história da sua época a ser lida, se soubermos como ler. (…)

VIII

Enquanto fotógrafos de rua do pós-guerra na Costa Leste estavam transformando a fotografia documental em uma experiência subjetiva do mundo contemporâneo, os fotógrafos em outras partes do país foram expandindo a tradição f/64 para acomodar seu espírito pessoal criativo.

IX

Muito foi discutido sobre a relação fotografia e arte, mas ninguém colocou a questão prévia de saber se a invenção da fotografia não havia alterado a própria natureza da arte.


93. Para Garotas Negras 4/11

92. Ocupando o abandono com Manoel de Barros, por Márcio Ramos

I

II

Abandono: ensaio poético fotográfico.

Márcio Ramos

Todas as citações são de Manoel de Barros

de sua Poesia Completa, 2010.

“Eu bem sabia que a nossa visão é um ato poético do olhar”. (461)

A imagem em Manoel da Barros é tão edificante quanto suas coisas insignificantes e muitas vezes cheias de abandono e desimportantes. Os poemas de Manoel não são apenas referencias para eu entender a minha relação com os movimentos de moradia, é a constatação de que na poética de Manoel encontrei eco para as minhas primeiras impressões sobre os moradores de rua e andarilhos. Eu tinha inveja da liberdade que suas condições proporcionavam. Um sentimento que sempre me questionou.

“Meu avô dava grandeza ao abandono.

Era com ele que vinham os ventos a conversar

Sentava-se o velho sobre uma pedra nos fundos

Do quintal

E vinham as pombas e vinham as moscas

A conversar

E vinham os gatos a conversar com ele.

Tenho certeza que o meu avô enriquecia

A palavra abandono.

Ele ampliava a solidão dessa palavra.

E as borboletas se aproveitavam dessa

Amplidão para voar mais longe”. (475)

E aqui:

“Meu avô namorava a solidão.

Ele era um florilégio de abandono”

Tanto a palavra solidão quanto a palavra abandono em Manoel tem sentido conflitante, Manoel aprofunda sentimentos e emoções em sua arte literária.

“Ele sabia que as coisas inúteis e

Os homens inúteis

Se guardam no abandono.

Os homens no seu próprio abandono.

E as coisas inúteis ficam para a poesia”. (465)

As imagens poéticas de Manoel ao mesmo tempo que revelam procuram desvelar o que só pode ser “visto” por meio de transgressões gramaticais.

“O abandono do lugar me abraçou de com

Força

E atingiu meu olhar para toda vida.

Tudo que conheci depois veio carregado de abandono.

Não havia no lugar nenhum caminho de

Fugir.

A gente se inventava de caminhos com

As novas palavras.

A gente era como um pedaço de

Formiga no chão.

Por isso o nosso gosto era só

De desver o mundo”. (463)

E aqui :

“Nessa hora já o morro encostava no sol.

Logo adiante vimos um quati a lamber um osso de ema.

A tarde crescia por dentro do mato.

O lugar nos perdera de rumo.

A gente se sentia como um pedaço de formiga perdida

Na estrada.

Bernardo completava o abandono”. (454)

A solidão do abandono de Bernardo tão prezada pela veia poética de Manoel só podia ser entendida e transmitida por alguém que possuísse a liberdade para ver e então transgredir e criar:

“Sou livre

Para o silêncio das formas

E das cores”. (416)

III

IV

V

A humildade de Manoel era exercida na pretensão de “desver” o mundo, entende-lo em sua profundidade e dimensão de “formiga no chão”. O abandono do lugar de Manoel talvez seja a solidão que surge com o sentimento de não pertencimento devido a uma perda original e a angústia na busca de uma identidade. Ver o que está além do óbvio das imagens é captar e dar sentido a coisas banais e sem importância.

“O menino que recebera o privilégio do

Abandono.

Achava que o seu abandono era maior que

O abandono do lugar.

Mas o abandono do lugar era maior

Porque continha o primordial”. (460)

O sentimento de abandono liberta e angustia porque não pode ser compartilhado nem por palavras.

“Eu sustento com palavras o silêncio do meu abandono”.

E mais:

“Com as palavras se podem multiplicar os silêncios”. (477)

É no olhar do andarilho tão íntimo do abandono e da solidão que se dá a liberdade de silenciar sobre os segredos da natureza que incorpora.

“Ele era um andarilho.

Ele tinha um olhar cheio de sol

De águas

De árvore

De aves.

Ao passar pela Aldeia

Ele sempre me pareceu a liberdade em trapos.

O silêncio honrava a sua vida”. (445)

O catador exercia a função de colecionar objetos que perderam a sua função, coisas insignificantes dando um novo significado a elas. O paradoxo é que o catador em Manoel de Barros e o catador de todas as épocas são pessoas excluídas, abandonadas e solitárias e por algum motivo símbolo de uma certa liberdade invejada pelo poeta e por este fotógrafo quando com seus 12 anos.

“Um homem catava pregos no chão.

Sempre o encontrava deitado de comprido,

Ou de lado,

Ou de joelhos no chão.

Nunca de ponta.

Assim eles não furam mais – o homem pensava.

Eles não exercem mais a função de pregar.

São patrimônios inúteis da humanidade.

Ganharam o privilégio do abandono.

O homem passava o dia inteiro nessa função de catar

Pregos enferrujados.

Acho que esta tarefa lhe dava algum estado.

Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.

Catar coisas inúteis garantem a soberania do Ser.

Garante a soberania de Ser mais do que Ter”. (410)

O verdadeiro conhecimento vem do envolvimento da vida com a vida e é deste envolvimento que sentimos a grandeza das coisas ínfimas:

“Aprendo com abelhas do que com aeroplanos

É um olhar para baixo que eu nasci tendo.

E um olhar para o ser menor, para o

Insignificante que eu me criei tendo.

O ser que na sociedade é chutado como uma

Barata – cresce de importância para o meu

Olho.

Ainda não entendi porque herdei este olhar para

Baixo.

Sempre imagino que venha de ancestralidades

Machucadas.

Fui criado no mato e aprendi a gostar das

Coisinhas do chão –

Antes que das coisas celestiais.

Pessoas pertencidas de abandono me comovem:

Tanto quanto as soberbas coisas ínfimas. (361)

* As imagens foram realizadas nas ocupações do centro liderados pela FLM e pelo MSTC.

www.marcioramosfoto.com.br

87. Um teto para meu País, por Jornalismo Junior, ECA

Márcio Ramos é voluntário do projeto, mas não constrói casas. Ele é fotógrafo e registra os momentos de trabalho e felicidade das famílias beneficiadas.

86. Femen

83. Era das Utopias

‘Era das Utopias’ é uma minissérie de seis episódios divididos em três temas: ‘Utopia Socialista’, ‘Utopia Capitalista’ e ‘Novas Utopias’. ‘Qual sua utopia?’ é a pergunta que vai guiar a nova minissérie da TV Brasil, dirigida pelo cineasta Silvio Tendler.

“O que nós queremos de fato é que as idéias voltem a ser perigosas” – Escrito num muro de Paris, 1964

Comentários TV Brasil: Utopia. O substantivo vem das palavras gregas ou e topos, que significam sem lugar. Refere-se a um lugar ou posição ideal, ainda não atingido.
Sonho impossível de realizar.
Ideal inatingível.

“Eu sempre trabalhei muito na questão das ideologias. São vinte anos de pesquisa em torno destas questões ideológicas que pautaram minha geração” – Silvio Tendler

A utopia pela igualdade entre os homens inspirou gerações. O mundo soviético inspirou os sonhadores. Com o fim da II Guerra Mundial, os Estados Unidos são a potência emergente. O american way of life passa a ser o modelo de civilização, quase uma norma. O mundo assiste a um confronto cultural, social, religioso, político e ideológico.

Os primeiros capítulos tratam do surgimento da utopia socialista e todas as suas conseqüências durante o século XX. Já os capítulos referentes à utopia capitalista mostrarão a derrocada do Socialismo com a queda do muro de Berlim, em 1989; os desdobramentos gerados e, tantos outros fatos que nos levaram às novas utopias, derivadas do conflito entre novas tecnologias e velhas mazelas. Para Tendler, a luta das atuais gerações é a preservação do planeta. “Salvar o planeta dos danos causados pela utopia capitalista e pela utopia comunista é a nova utopia”, afirma o diretor.